#16

    
 20 de julho de 2014
                                                                                                                                  Porto, Portugal

               Querida Beatriz:

Disseram-me que andas mal, que o teu sorriso fugiu e que a tua alegria está morta. Disseram-me que te escondes de todos para que ninguém te pergunte a razão da tua tristeza. Mas eu sou tua irmã, conheço os teus silêncios: são iguais aos meus. Desde pequenas que queremos fazer do mundo um lugar feliz para todos (lembras-te do que o pai nos dizia: "ou sonham alto, ou é melhor não sonharem!"). Crescemos mas nunca desistimos. Queríamos sorrisos. Queríamos ver as pessoas olhar o céu azul e sorrir. Queríamos ver as pessoas ouvir o som do mar e sorrir. Queríamos que as pessoas soubessem que são as coisas mais simples, as que nos fazem mais felizes. A vida separou-nos, e nós continuamos: cada vez mais perdidas no nosso próprio sonho. A Margarida nasceu (ainda ontem me perguntou quando voltaria a ver o sorriso da tia) e nesse dia, há sete anos, eu soube que tinha de a fazer feliz. Porém, tudo é mais complicado do que aquilo que imaginamos. O meu casamento. O meu trabalho. A educação da Margarida. Tinha uma guerra dentro de mim: andava mal, o meu sorriso tinha fugido, e a minha alegria estava morta. Ninguém estava feliz e todos me pareciam culpar por isso, embora eu soubesse bem no fundo do meu coração que era eu quem, alimentada pelo sonho de criança, tentava manter tudo junto. Um dia, fechei-me no meu quarto e chorei, cansada do meu mundo. Vaguei pelas minhas memórias na esperança de encontrar algo que me limpasse as lágrimas, mas não encontrei. Ouvi alguém bater à porta do quarto: era a Margarida. "Mamã, porque estás a chorar?", disse-me, serena como as primeiras brisas do dia. Pus-me de joelhos, e por entre lágrimas que teimavam em não me deixar, respondi: "Margarida, a mãe só te quer fazer feliz." Ela, para meu espanto, apenas sussurrou timidamente: "Eu estou feliz. Se tu também estiveres.". Por isso, Beatriz, não respondas se te perguntarem porque estás triste. Mas pergunta-te a ti mesma se és feliz: ninguém pode oferecer um sorriso, se não tiver um para si.

                                                                                                    Sempre que precisares, estou aqui.
                                                                                                                                       A tua irmã ♥

Gostaste? Então, não guardes só para ti!

SOBRE A AUTORA

Olá! O meu nome é Daniela Nogueira, tenho 18 anos e estudo Direito. Sou uma apaixonada por Artes. Escrevo no (Des)Apontamentos há cerca de quatro anos (com muitas mudanças, pelo meio...) e espero fazê-lo por muitos mais. A natureza, os meus sentidos e a alma das pessoas são os meus temas favoritos!

4 Comentários

  1. Não me canso dos teus textinhos, Daniela.

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  2. Belas palavras. Texto maravilhoso. Fico à espera do próximo post. :)

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    1. Muito obrigado! É bom saber que as pessoas gostam do nosso trabalho!
      Beijinhos*

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