#17

As pessoas apaixonam-se muito facilmente. Vêem alguém de olhos claros e cabelos loiros e estão apaixonadas. Ouvem umas simples palavras e estão apaixonadas. Talvez sejam assim porque nunca foram obrigadas a lutar por nada: tiveram o amor dos pais, o apoio de um irmão, o sorriso de um amigo. Comigo foi sempre diferente. A minha mãe nunca me abraçou e disse "vai ficar tudo bem": cheguei a pensar que nem o meu nome sabia. O meu pai batia-me, como se isso o tirasse do beco sem saída onde estava. Morreram os dois quando a nossa casa foi incendiada e perdemos o pouco que tínhamos. Hoje, só a dor que sinto por nunca ter sido amado pelos meus pais me lembra que eles um dia foram reais. O meu irmão fugiu de casa sem se lembrar que eu existia. E nunca tive um amigo. Ou, pelo menos, nunca tive um amigo que não me oferecesse drogas, que não me pedisse ajuda para roubar uma casa, que não me obrigasse a fazer coisas que não queria fazer. Cresci e aprendi a tomar conta de mim mesmo. Perdi o gosto às palavras e deixei de contar o que sentia porque, na verdade, não havia ninguém que quisesse ouvir. Tornei-me frio e passei a afastar todos de mim. Depois, pelo destino, ou por coincidência, ou o que quer que lhe queiram chamar, ela apareceu na minha vida. Tentei afastá-la, como já há muito tempo faço e como sempre fizeram comigo. Mas ela não cedeu. Sempre que me olhava era como se conseguisse entrar dentro de mim, descobrir-me por completo. Ela era diferente de todas as outras pessoas que alguma vez tinha conhecido. Ela ouvia, realmente. Queria saber mais de mim. Ela fez com que eu falasse, com que lhe contasse o quão horrível o meu passado tinha sido. Ela amava-me, mesmo que nunca mo tivesse dito. E ela também sabia que eu amava. As nossas conversas noite dentro, à luz da lareira, eram a prova disso. A minha sede de a proteger era a prova disso. A forma como me acariciava as faces com as pontas dos dedos era a prova disso. Deixei-a ir... Ou talvez a vida a tenha levado. Nunca parei de a procurar. Iria ao céu, ao mar, ao outro lado do mundo apenas para a poder ver mais uma vez, para que ela ouvisse da minha boca aquilo que nunca disse a ninguém. Mas, não sei onde estarão os seus olhos claros. Não sei onde estarão os seus cabelos dourados. Não sei se o seu sorriso ainda vive. Amá-la-ei sempre, e não por causa das suas feições, nem das palavras que me disse. Apenas por me mostrar o que é pertencer a alguém.

Gostaste? Então, não guardes só para ti!

SOBRE A AUTORA

Olá! O meu nome é Daniela Nogueira, tenho 18 anos e estudo Direito. Sou uma apaixonada por Artes. Escrevo no (Des)Apontamentos há cerca de quatro anos (com muitas mudanças, pelo meio...) e espero fazê-lo por muitos mais. A natureza, os meus sentidos e a alma das pessoas são os meus temas favoritos!

20 Comentários

  1. Fiquei sem palavras *O* Mágnifico, simplesmente adorei :)

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    1. É tão bom ler comentários assim! Muito obrigado :)

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  3. Adorei! Adorei! Adorei! Vou experimentar fazer o mesmo! ;)

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    1. Ai Bells, o que era de mim sem ti? Muito obrigado (por tudo) :)

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  4. Nossa, que blog lindo, que layout perfeito, amei! Não assisto essa série mas consegui compreender perfeitamente o texto, sentindo as emoções da personagem. Gostei! E essa dica que você deu no final, de colocar-se no lugar de outra pessoa pra se inspirar e escrever, achei super válida, eu uso faz tempo e é ótima ideia pra quem gosta de escrever. :)

    http://sentirodrama.blogspot.com.br

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    1. Olá Rhanna :)
      Fico muito feliz por saber que gostas do layout e da imagem geral do blog. E fico ainda mais feliz por saber que gostaste do que escrevi.
      A dica é realmente boa, e ajuda imenso quando vem aquele "bloqueio de escritor". :)

      Beijinhos*

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  5. Olá, adorei o blog, 5 estrelas :P

    Deixo aqui o meu para se quiseres ver, tem pouco tempo... http://mylifemymoviee.blogspot.pt/ ...Beijinho ;)

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    1. É muito bom saber que as pessoas apreciam o nosso trabalho :)

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  7. Para que dizer que escreves lindamente se tu ja sabes disso? ;) adorei o texto. Tens mesmo que escrever um livro :3
    Beijinho e continua
    Catarina*

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    1. Muito obrigado, Catarina! É muito gratificante ler comentários assim... Quem sabe se um dia, não escrevo mesmo, um livro :)
      Beijinhos*

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