#6

Porto,
25 de Agosto de 2013
          Querida Alice:

A tua mãe ainda te trançava o cabelo e eu ainda tinha medo do escuro. Costumávamos brincar todos os dias, lá no ribeiro perto das nossas casas. As nossas tardes eram falar de coisas de crescidos, partilhar segredos que toda a gente sabia. Eras a irmã que a cegonha nunca me trouxe: faces rosadas, tantas sardas quantas estrelas existem, olhos cor do céu e um coração do tamanho do sol. Não sei se te lembras do Natal de 95. Recebeste uma saquinha, cheia dos nossas chocolates favoritos, enlaçada com um uma fita azul turquesa. Guardaste-a debaixo da cama, contaste-mo. Dias depois, encontraste a fita azul turquesa, só. Muito serenamente, com uma lágrima desenhada no rosto, vieste ter comigo. Nos teus 8 anos, disseste-me: "não tens perdão". Agora sabes como me sinto.

                                                                 Adeus, 
                                                                 a tua irmã (perdida).

Gostaste? Então, não guardes só para ti!

SOBRE A AUTORA

Olá! O meu nome é Daniela Nogueira, tenho 18 anos e estudo Direito. Sou uma apaixonada por Artes. Escrevo no (Des)Apontamentos há cerca de quatro anos (com muitas mudanças, pelo meio...) e espero fazê-lo por muitos mais. A natureza, os meus sentidos e a alma das pessoas são os meus temas favoritos!

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